

Eu sempre gostei daquele nome... Ah, aquele nome! Lembrava-me força, coragem; ao contrário do meu. Eu me sentia bem melhor ao escutá-lo... E deus, Natal? (isso lá lhe parece um significado?) Sabe... O 7 sempre foi o meu número. Meu número da sorte. Sei que isso parece bobo... Mas, ele realmente me dava sorte. Quando pequenina, com sorte, eu sempre senti um fogo dentro de mim. Como se eu estivesse constantemente em chamas... E aquilo era tão bom, até que se apagou. Ei, 7, porque justo você teve de foder com tudo? Quer dizer... Porque logo aos 7? Todas aquelas coisas... Arranha um pouco a garganta quando conto sobre elas, mas é quase imperceptível. Costumo ser meio direta, um tanto grossa e até irônica às vezes. Sempre acabo rindo, escondendo o choro interno. Sinto-me um pouco patética, você entende? Uma fraca. E eu não gosto de me sentir assim. Talvez eu seja, mas eu quero acreditar que não sou. Vamos lá... Novamente tentar, talvez até superar; até que surge um obstáculo (ah, eu já não tento mais). Pois quando me sinto livre de todo esse peso da existência, o isolamento me agarra quase tão cruelmente quanto antes; talvez até mais. O que te escrevo é um “isto”. E não vai parar. É só um pouco do que eu acho que sinto. Já sentiu medo? Insegurança? Eu denuncio que talvez essa seja a minha maior fraqueza. Se eu tenho medo da morte? Não. Você sim? Pois não deveria ter... Recuso-me a ficar triste em pensar sobre. Não é disso que tenho medo... Uma coisa eu te garanto: não há nada mais assustador que a vida. E preciso lembrar-me disso enquanto estiver por aqui, sabe? Porque depois pode ser tarde demais. E aqui estou eu, tão louca... Pensando em todas essas coisas. Eu me revolto: porque sempre acabo doente? Tem que haver algum tipo de explicação. Talvez eu saiba... E antes que julgue, não digo de uma doença mental... Costumo ser bem sã. É meio complicado de explicar. Acho que só estou um pouco triste... Talvez seja isso. Sinto um mal-estar horrível. Uma vontade de passar o dia inteiro na cama, abraçando meu urso de pelúcia; como se isso trouxesse alguma proteção. A sensibilidade tem de ser esquecida novamente, antes que eu me quebre... Ou que me foda ainda mais. E eu sei que não faz idéia do que estou dizendo e que não consegue me entender. Afinal, você não sou eu. Assim como eu não sou você. E vice-versa. Eu não sei o que você passou... E você nem imagina o que eu passei.

“ Incompleta.”
Ela era como um livro. Um livro incompleto. Jamais saberiam suas dores, seus segredos. Faltavam-lhe páginas. Arrancaram uma por uma sem dó e nem piedade. Forçaram-na a ser um livro sem um inicio, a ser um livro apartir daquilo. E então ela se perdeu no meio de toda aquela confusão. O meio começou a ficar confuso. Uma história sem um começo, que final teria então? Os restos das páginas rasgadas ainda permaneciam presos a ela, insistindo em lembrá-la do quão dolorosamente pode se tornar difícil a palavra esquecer. Mas ela vai sobreviver. Ela encontrou o seu próprio mecanismo de sobrevivência, por mais louco que isso possa parecer. As lágrimas escorriam por toda sua face, borrando a maquiagem que antes fora tão impecável. Por algum motivo, tudo parecia sempre ir contra ela. A cabeça baixa, o coração batendo fracamente, quase sem vontade, sem sentido... sem força. A respiração era feita por pura obrigação. E por falar nisso, lá está ela novamente... Mais uma vez trancafiada no banheiro, deitada em um canto, sentindo o sangue escorrer por sua pele. Pode parecer um tanto doentio pra você, mas não é. Essa fora a única salvação que ela conseguiu ver. A dor física não era nada comparada a sua dor interna, ao que tanto lhe aflingia. Absolutamente nada. Os cortes que emolduravam seu corpo ainda ardem, mas a dor consegue ser tão reconfortante e ao mesmo tempo insignificante comparada à dor interna que ela sentia, fazendo com que ela nem se importasse. Ela só queria que a dor continuasse ali, consigo, pelo menos assim livrava-se um pouco da dor interna que tanto lhe incomodava. Era assim que ela conseguia esquecer. Era esse o seu mecanismo de fuga da dolorosa realidade. Todos os dias eram iguais... Correr para o banheiro, trancafiar-se, se auto-mutilar. Aquela sensação da pele sendo rasgada bem lentamente pela lâmina tornara-se o seu maior vicio. Era até meio engraçado... Uma garota se cortando por causa dos outros. Mas os cortes provocavam-lhe tanto... Prazer? Não, não é essa a palavra certa. Era... Alívio. A dor interna parecia se aliviar conforme ela se auto-mutilava. Era como se tirasse um peso de suas costas a cada corte em sua pele e se sentisse melhor a cada vez que sentia o sangue escorrer pela mesma. Essa era a prova mais ridícula de que ela era uma ninguém. Sim, ela era assim. Fora provado quando a pessoa que ela mais amava disse “ Você é a minha maior decepção.” Bastou apenas uma vez para fazer com que o mundo da garota desandasse ainda mais. Ninguém sabe como é lutar todos os dias por uma meta que nem é sua quando não se tem mais forças pra lutar, fazer de tudo para agradar, agir como esperavam e der repente... Tchan. Se sentir tão... Incompleta. Fora um baque tão fundo, que a fizera piorar de vez. Ela era frágil como uma rosa. Um simples toque poderia ter força o suficiente para despedaçá-la. Se matar seria uma boa saída, mas ela ainda tinha muito pela frente. E sim, ela já havia tentado, mas felizmente(ou infelizmente) a salvaram. Ela tinha medo de abandonar as pessoas que amava e deixar com que elas fossem para o mesmo caminho que ela havia ido. Não tinha orgulho dele. Maldito seja! Seus orbes analisaram todo seu corpo; corte por corte, sangue por sangue, cicatrizes por cicatrizes. Daqui a um tempo não haveria mais lugar que pudesse mutilar. E fora pensando nisso que levantou-se, caminhou até o espelhou e fitou-se bem fundo a figura que ali estava. Fitou o rosto da garota do espelho. Tão falsa, tão... hipócrita, tão... apenas tão. Levou a lâmina até o mesmo e iniciou o corte na bochecha, findando-o em sua boca. Sentiu o sangue escorrer e pode sentir o gosto do mesmo invadir seus lábios macios e frios. Ah, sim. Respirou profundamente. Abriu a porta e deparou-se com um dos autores de toda aquela dor. Ele a olhou assustada, como se ela fosse uma espécie de monstro, ou uma maníaca. Ah, sim. Estava cheia de cortes, sangue e ainda assim um belo sorriso estampado no rosto. Ele desviou o olhar e ela segurou sua face, fazendo-o fitá-la. Ela nada disse, apenas continuou a sorrir e ele sabia o que ela queria dizer com aquele sorriso.
Ei, vamos.
Olhe pra ela agora.
Diga se ela ainda parece perfeita pra você.
— O-o que você fez? — Ele perguntou e ela revirou os olhos, soltando com brutalidade a face do mesmo que antes era segurada por suas mãos. Ela nada respondeu, apenas sorriu e foi abraçada fortemente, como uma criança após ter sido machucada gravemente. Os cortes ainda ardiam um pouco, mas a dor agora era irrelevante. A garota apenas saiu dos braços dele e olhou seu braço: Imperfeita. Era isso que se encontrava estampado em sua pele. Um tanto... doentio? Talvez. Mas era assim que ela se sentia... Imperfeita. A verdade é que ela não queria ser perfeita, só não queria ser julgada pelo que era, pelo que houvera.
— Nunca deixe que façam você se sentir assim... Você é perfeita, perfeita pra mim. — Fora a ultima coisa que ela o ouvira dizer, antes de sorrir e apagar, mais uma vez. Inconsciente, mas ainda assim, perfeita, perfeita pra ele.
Imagine nós dois. Só eu e você, daqui a alguns anos... Morando juntos como dissemos que iríamos fazer. Não precisaríamos estar namorando, nem estar casados para isso. Somente amigos. E nós seriamos muitos felizes, pois eu teria você e você teria a mim. Eu te faria mais feliz do que essas garotinhas por qual você cai de amor. Seria aquela amiga que vai te dar um abraço quando tudo parecer sem sentido e que vai encostar a cabeça em seu peito e fazer vê-lo que alguém precisa realmente de você. Fotos de nós dois estariam por toda a casa. Fotos suas no meu quarto e fotos minhas no seu, mas dormiríamos no meu. Dormiríamos juntos pelo simples fato de eu te querer por perto e você me querer por perto também. Pelo simples fato da minha cama ser perfeita pra nós dois. Sem você eu teria medo do escuro e viveria com todas as luzes da casa acesas; o que não é o caso. Se vivêssemos juntos, eu andaria com roupas íntimas, e você fingiria não se importar e eu fingiria acreditar. Eu fugiria de você, correndo pela casa, rindo, com o controle da televisão, só pra você não mudar o canal. E você me pegaria no colo, ficaríamos abraçados até o silêncio nos constranger. Você me carregaria e fingiria que iria me tacar na piscina, eu iria gritar e te bater, mas no fundo, eu estaria amando tudo aquilo. Iríamos brincar na chuva, como duas crianças e acabaríamos rindo de tudo aquilo. Você seguraria a minha mão enquanto conversamos, e eu seguraria a sua também. Em qualquer ocasião você seguraria minha mão, apenas para me transmitir aquela velha e prazerosa sensação de segurança. Você falaria olhando nos meus olhos e eu olhando nos seus, transmitindo toda essência verdadeira das nossas simples palavras. Você iria me proteger e eu protegeria você. Você contaria uma das suas piadas idiotas e me faria cócegas, mesmo depois deu ter te mandado parar. Quando eu te xingasse, você iria dizer que me ama e não iria levar a sério nada do que eu dissesse, porque sabe que no fundo eu o amo também. Você me deixaria adormecer em seus braços. Quando eu ficasse brava, logo em seguida você me daria um beijo na testa. E quando notássemos já estaríamos apaixonados novamente...
“ Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante. ”
Era apenas ela e a folha. Não havia mais nenhuma distância entre elas, não mais. A escrivaninha e a caneta foram esquecidas quase que de vez. A caneta posicionada entre seus dedos, como sempre. O caderno velho padecia sobre a escrivaninha há horas, enquanto a garota intocável lia, deliciando-se com a bela leitura e copiando o que achava interessante. Traços perdidos misturavam-se em sua vista. Eram letras, letras, e mais letras... Letras que logo se transformavam em palavras. Palavras, palavras, e mais palavras... Palavras que logo se transformavam por ultimo em frases... Ainda não havia nenhum parágrafo. Porém isto se tratava de tempo. Deliciava-se, buscando qualquer coisa de interessante que achasse, lendo atenciosamente cada estrofe, verso, parágrafo... Ajeitando a caneta entre seus dedos, continuando com suas cópias. A chuva batendo contra as vidraças já não lhe incomodavam mais, não ali, não naquele momento. Estava em seu quarto, o seu refugio. As brisas frias e gélidas da noite brincavam um pouco com sua cabeleira, como sempre. Ignorando tudo ao redor, a garota mantinha os olhos fixamente no livro amarelado a sua frente. Com palavras pequenas e vivas. Cada história, era mais uma belíssima aventura. Seu dedo indicador, branco e pálido, passeava por entre as folhas ora ou outra, passando a página para que continuasse a se deliciar ainda mais com o livro, que em si, era muito interessante. [...] Ela ainda estava lá... Intocável. Mesmo depois de todo aquele tempo. Minutos, horas talvez. A garota dos grandes cabelos volumosos estava sentada a beira da janela do seu quarto, da mesma forma que antes, tão intocável. O ponteiro do relógio de parede nunca parava, não que ligasse... Mas amanhã teria de acordar cedo, afinal, o tempo não para. Fora poucos os momentos em que desviara a atenção para fitar a belíssima paisagem e conferir à hora no relógio. E pela primeira vez, não ligou se ficasse ali até tarde e se iria sem dormir para a aula ou não, pois apartir daquele dia, não era mais uma menina com um livro. Era uma mulher com seu amante.
Em primeiro lugar, gostaria de esclarecer algumas coisas...
Antes de começar mesmo com esse blog, acho justo dizer o motivo de tal. Bom... Eu não escrevo pra você. Eu escrevo pra mim. É claro que eu quero leitores... É o que todos os bloguistas querem. Mas eu escrevo independente disso. Eu escrevo pela necessidade que eu tenho de expor meus sentimentos mais íntimos e comprometedores. Gritar a minha saudade, contar os meus segredos mais profundos, tentar aliviar as dores que eu sinto aqui dentro do meu peito, tentar me libertar, pouco a pouco, de tudo o que ainda me prende a um passado que me torna tão... intocável. Eu escrevo para tentar colocar para fora aquilo que me sufoca por dentro e me faz querer desistir todos os dias. Escrevo para esquecer as magoas e as dores. Eu escrevo para sobreviver. Escrevo para descrever aquilo que minha boca não consegue dizer e minhas lagrimas insistem em tentar. Eu escrevo porque foi a única saída que eu encontrei para fugir de tudo e todos. Escrevendo eu faço e me torno tudo. Eu exorcizo o meu demônio, coloco minha criança pra dormir, mato a minha velha sensação e salvo a jovem menina alegre que ainda está em algum lugar aqui dentro. Escrevendo eu me liberto. Eu viro uma linda borboleta, sedenta por liberdade. Vôo com minhas lindas asas negras em pensamentos, livre, sem nem ao menos se lembrar do quão frágil sou. Sempre perdida em devaneios, ignorando tudo em volta.
E, ah! As palavras! Elas se tornaram tão... únicas. Tornaram-se minhas amigas. Elas me entendem. Entendem o meu silêncio, a minha dor, a minha revolta... E descrevem de forma quase perfeita. As páginas do meu blog são como um tesouro pra mim. Cada texto é mais um desabafo e mais uma tentativa de continuar, de não desistir, mesmo que seja bem duro às vezes. Cada texto é mais uma prova de superação pra mim. É uma forma de não cair nos malditos vícios, de não me auto-mutilar, de não tentar me suicidar e nem nada do gênero. É uma forma de dizer e/ou mostrar o que eu sinto para todos, sem que para isso eu precise me ferir.
Por fim, escrevendo eu vivo a vida. Aproveitando a oportunidade de dizer e mostrar o que sinto, em que acredito, e no que isso tudo significa para mim.
Um começo? Ah, sim. Claro.
Onde foram parar os meus bons modos?
Então... Eu poderia me apresentar de diversas formas, mas, pra falar a verdade, não acho que isso seja necessário. Você vai aprender a me conhecer conforme tempo... Não totalmente, claro. Mas me conhecerá suficientemente para tirar a sua própria conclusão.